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Sou Capaz de Dirigir

Há algum tempo, ouvi de um conhecido uma experiência por ele vivida, que teve grande significado para o indivíduo e o cidadão. Segundo ele, esta história mudou muito o seu conceito de autoridade até então conhecido. Vamos à história:


“Que experiência fantástica eu vivi: durante muito tempo tive dificuldade para tirar minha carteira de motorista. Fiz alguns exames de direção e apesar de ter convicção da minha capacidade de dirigir, de ter feito os treinamentos com profissionais habilitados e dedicados, na hora do exame de motorista minhas pernas tremiam, eu me assustava com o examinador e acabava errando coisas até bem simples.


No último exame, no entanto, ocorreu algo surpreendente para mim. Logo que comecei a prova, percebi que como de costume, o examinador adotava uma postura fria, neutra, como deve ser da profissão dele. Não tinha andado ainda nem 500 metros e notei que o meu ilustre passageiro se agitou, empalideceu, começou a suar muito e de repente deu um grito de dor, apontou para o peito e com grande esforço me disse que estava passando muito mal, precisando de socorro.


 E agora, pensei eu: este cara precisa mesmo de socorro, pelo pouco que entendo, parece que ele está tendo um infarto. Se eu voltar para o local do início do exame, perderei um tempo que pode ser precioso para a vida dele. Onde é que vou achar alguém que o leve ao hospital mais próximo?


 Neste momento, com a rapidez absurda dos pensamentos, me ocorreu que se eu estava fazendo exame de motorista é porque já era capaz de dirigir. Ato contínuo, engatei uma marcha mais forte e desviei meu caminho na direção do hospital. Acendi os faróis do carro e aumentei a velocidade, em alguns pontos, buzinava com a intenção de avisar aos demais carros que tinha ali uma emergência.


 O examinador já se mostrava apavorado com o risco de vida que o infarto poderia representar para ele e me pedia desesperado que corresse mais, que até entrasse na contramão se necessário. Me dizia aos gritos que sua vida dependia de mim. Sua palidez e suor aumentavam ao mesmo tempo que minha certeza de conseguir socorrê-lo se cristalizava. Ali, tudo dependia de mim: manter o homem com esperanças e levar o carro até o hospital. Passei a ele a sensação da confiança de que chegaríamos à tempo, tranquilizei-o no seu desespero e luta pela vida.


Não sei dizer quantos carros ultrapassei, quanta agilidade usei para engatar as marchas certas que permitissem chegar ao hospital o quanto antes, até de fato, entrei em uma contramão e cheguei a avançar um semáforo.


Foram momentos, minutos de grande terror para aquele homem. Me impressionou o contraste do desespero dele com a minha certeza de estar cumprindo o possível. Graças a esta certeza, chegamos ao hospital, onde eu e uma equipe de paramédicos, retiramos o sujeito do carro e o levamos à sala de emergência, para um atendimento tão eficiente quanto meu comportamento ao volante.


De volta ao local dos exames, minha chegada solitária surpreendeu aos demais examinadores, amigos daquele homem de quem tinha salvado a vida. Todos eles, sem exceção, queriam ter a honra de assinar minha aprovação no exame de motorista, uma vez que sabiam que tudo aquilo poderia ter acontecido com qualquer um deles.


Alguns dias se passaram e pude visitar o tal homem no hospital, que diante de sua família, me apresentou como o maior responsável pela sua vida, alguém que foi capaz de tomar decisões, infringir normas com interesses maiores, e que se não fosse eu como motorista, certamente a esta hora ele estaria morto, e que principalmente, eu e ele tínhamos aprendido que a verdadeira autoridade ao volante é quem conduz o carro, quem dirige, as decisões e o bom desempenho só dependem deste que está atrás do volante, que quando se está num carro, o poder, a responsabilidade e a autoridade é de quem dirige.” 

Carlos Lima.

Contatos: superare@superare.com

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