Uma garotinha de seis anos está em casa ansiosa pela chegada do pai, que estava no trabalho. Curiosa e agitada, assim que se encontra com o pai, o abraça e pergunta de supetão:
- Papai, de onde eu vim?
O Pai orgulhoso pensa consigo mesmo: “Minha filha é uma geniazinha, nesta idade já quer saber coisas que somente lá pelos 12 ou 13 anos outras crianças querem saber!”. Assenta-se, coloca a filha à sua frente confortavelmente instalada e começa a descrever.
- Filhinha, papai tem um órgão genital chamado pênis e mamãe tem um órgão genital chamado vagina...
A criança olha espantada e o pai continua.
- Além disto, papai produz uma célula reprodutiva chamada espermatozóide e mamãe produz sua célula reprodutiva chamada óvulo...
Mais espanto da criança.
- Pois bem, continua o pai, papai e mamãe copulam, usando seus órgãos genitais e as células reprodutivas de cada um se encontram, no terço médio da trompa de Falópio da mamãe, e então ocorre a fecundação e o desenvolvimento de um novo ser humano.
Agora a criança está mais que espantada, está boquiaberta.
- Então, dentro do útero da mamãe, você desenvolveu por nove meses, até ficar pronta e finalmente veio ao mundo. Foi daí que você veio!
A criança está com uma cara chocada, e o pai pergunta:
- Por que você quis saber isto?
- Porque tem uma menina lá na escola que veio de São Paulo!
Diagnosticar situações problema, desafios, oportunidades, metas, focos, devem ser habilidades com desenvolvimento contínuo para um líder (na verdade acredito que para todos nós, líderes ou não). Muitas vezes fazemos esforços enormes numa dada direção e os resultados que obtemos são insatisfatórios para nós, para o outro e para o meio. Esta deve ser a visão responsável de todo agente de influência, seja ele educador, líder, parceiro, amigo, colaborador, cooperador, enfim, todos nós que buscamos o melhor para todos. O melhor só existe se privilegiar a nós mesmos, aos outros envolvidos e ao meio em que estamos, seja em casa, na empresa, nas relações pessoais, escola, sociedade em geral.
Sabemos que muitas vezes, quando “adivinhamos” o que está acontecendo, nos embrenhamos por caminhos que atrapalham as relações e principalmente os resultados decorrentes destas, quer dizer, é muito fácil entrarmos em discordância quando ainda não entendemos o que o outro quer expressar, e aí criamos verdadeiros abismos nas relações, ou ainda, gastamos muita energia e esforço em situações que seriam resolvidas de forma natural, ou pior...não resolvemos nada!
Saber entender o “nível de complexidade” do que se está discutindo ou da situação que se apresenta diante de nós é fundamental para estabelecermos estratégias que funcionem efetivamente. Entende-se por “nível de complexidade” o nível lógico de uma situação, como deve ser nossa postura e qual será a interação do nosso cérebro com esta situação. Isto mesmo, para o cérebro, há uma lógica que distingue situações menos complexas para mais complexas, e, portanto, soluções e respostas mais simples até soluções e respostas mais sofisticadas e trabalhosas. Quando não compreendemos isto, corremos o risco de errar ou nos esforçar em demasia com pouco ou nenhum resultado.
São oito os níveis lógicos:
1- Meio ambiente (espaço físico, temperatura, sons, mobiliário, pessoas, etc) é ONDE estamos, reações;
2- Comportamentos é O QUE fazemos, ações;
3- Capacidade (ou habilidade) é COMO fazemos, nossas expertises, nossos aprendizados. Uma série funcional de comportamentos;
4- Crenças é POR QUE fazemos, aquilo em que acreditamos, nossas certezas e convicções;
5- Identidade é o PAPEL desempenhado (trabalhador, educador, líder, aprendiz, cônjuge, etc);
6- Missão é a PLENITUDE do SER, a existência (EU PLENO e os outros, sociedade, família, empresa, etc);
7- Visão é MOTIVAÇÃO e EXPLICAÇÃO da existência (das pessoas, da empresa, da sociedade, etc);
8- Espiritualidade é o TODO, o que ultrapassa a matéria (DEUS, energia, vida, universo, etc).
Dizemos que do Meio Ambiente à Identidade, os níveis são pessoais, quer dizer: “Eu” no ambiente, “Meus” comportamentos, “Minhas” capacidades, “Minhas” crenças, “Meus” papéis. Dizemos também, que de Missão à Espiritualidade os níveis são interpessoais, quer dizer: “Quem mais” na existência, “Para que” a existência, “O que existe além da existência”.
Ainda seguindo um princípio lógico, devemos resolver situações inicialmente interferindo no ambiente, para em seguida avaliar os comportamentos, as habilidades, as crenças, a identidade, a missão, a visão e a espiritualidade.
Tenho presenciado situações de rotina em empresas e em educação, que são verdadeiros desperdícios de esforços, de tempo e dinheiro, simplesmente porque a abordagem feita foi além ou aquém do que deveria ser.
Como exemplo, cito a história de uma empresa, que logo no início de sua produção, começou a apresentar problemas na pintura de alguns de seus produtos. Pois bem, a princípio suspeitaram que havia pouca qualificação da mão de obra. Afinal, os colaboradores tinham pouca experiência. A empresa tomou algumas providências: treinou novamente os colaboradores, começando numa escala básica, ainda na fábrica, em seguida, como o problema persistia, mandaram alguns para serem treinados no fabricante da tinta, fizeram pesquisas laboratoriais do material usado, isolaram lotes de tintas para corrigir o problema e este persistia. Mandaram então alguns profissionais para serem treinados na sede, na Europa e...Nada! Conversando com os colaboradores envolvidos, avaliando cada nível lógico que pudesse explicar o problema, descobriu-se que numa área de aproximadamente 80 metros lineares, por onde passam os produtos pintados e são avaliados quanto à qualidade, havia dois pontos “cegos” na iluminação. Apenas dois pontos em 80 metros, suficientes para interferir na verificação de qualidade de alguns produtos. Solução: corrigir a iluminação nestes dois pontos. Baixo investimento. Ocorre que grandes desperdícios de humor, nas relações interpessoais, de tempo, produto e dinheiro já tinham sido feitos.
Sem falar em crianças que apresentam dificuldades na escola e são taxadas de distraídas, hiperativas, sem concentração, desinteressadas e são levadas para aulas particulares, tratamentos psicoterapêuticos e, quando se investiga com cuidado, percebe-se que o problema é baixa visão. Um bom par de óculos resolve o problema.
Tem a história de investir em tecnologia, gastar “tubos” de dinheiro em maquinário com foco em excelência da produtividade e esta não melhorar coisa nenhuma...Se não treinar, capacitar a mão de obra, não adianta!
Ou, ainda, aquele profissional de vendas que é campeão e se identifica plenamente com a função de vendedor, e simplesmente é levado a ser supervisor por sua capacidade, e as vendas caem. Se a identidade é com vendas, a posição de supervisor pode causar estranheza ao profissional.
Enfim, são muitas as histórias de desperdício. Portanto, a partir de hoje, todas as vezes que estiver diante de situações desafiadoras, problemáticas, de tomada de decisão, faça diagnóstico sobre que nível lógico você está lidando e então, faça a intervenção necessária. Gaste tempo e dedicação na pesquisa, converse com os envolvidos, solicite, se necessário, ajuda de colegas para que o diagnóstico seja preciso, para somente então intervir.
Comece sempre do nível mais básico, Meio Ambiente, para os mais “altos” e confira um por um. Cuidado para não menosprezar a situação. Avalie todos os níveis. Faça perguntas para esclarecer cada nível.
A relação entre os níveis lógicos é dinâmica, isto quer dizer que quando se altera um nível, outros podem se alterar, o importante é que seja duradoura e funcional, e isto requer diagnóstico preciso. Adianto que a maioria dos problemas será resolvida intervindo em Meio Ambiente, Comportamentos e Capacidades.
Vejamos um exemplo simples e prático da descrição dos níveis lógicos na situação TRABALAHAR!
- Onde você trabalha?
- Numa loja de sapatos (Ambiente).
- O que você faz lá nesta loja?
- Vendo calçados (Comportamento).
- Como você faz para vender calçados?
- Primeiro abordo o cliente com educação, em seguida ouço as necessidades dele, apresento minhas alternativas pacientemente, permito que ele avalie e escolha e então vendo (Capacidade). Observe que é uma série de comportamentos.
- Como você explica seu bom desempenho (ou, em que você acredita para fazer boas vendas)?
- Eu acredito que todo cliente merece atenção e respeito, além disto acredito que durante meu trabalho devo me dedicar integralmente (Crenças).
- Você acha, que enquanto vendedor você desempenha bem o seu papel?
- Sim, eu me identifico com minha profissão, eu sei que sou um bom vendedor, assim como quando estou em casa tento ser um bom pai, ser um bom marido e com os companheiros ser leal (Identidade).
- Quando você avalia seu desempenho, você considera mais alguém?
- Considero minha família, que precisa de mim, considero os clientes que precisam de informações confiáveis, considero a empresa que me fornece condições para trabalhar (Missão).
- Você não acha que a profissão de vendedor é muito limitada?
- Ao contrário, eu penso que é graças a vendedores que as pessoas têm suas necessidades, emoções, satisfações, segurança, crescimento, atendidas. Se não fossem os vendedores, as vidas das pessoas é que seriam limitadas (Visão)
- Então basta vender o produto, no caso sapato, e tudo está resolvido?
- Nada disto, o sapato é apenas matéria. O que realmente conta é o estado de felicidade das pessoas, as trocas de boa energia quando se está satisfeito, o bem atraindo o bem, e porque não, tornar este planetinha nosso cada vez melhor (Espiritualidade)!