Expertise.
Aconteceu num porto: o enorme transatlântico, pronto para zarpar em sua viagem de turismo, com mais de cinco mil pessoas a bordo, entre passageiros e tripulantes, apresentou problema em uma de suas caldeiras, essencial para o funcionamento dos motores, o que poderia comprometer toda a viagem.
Os profissionais a bordo não conseguiram achar solução, conversaram, discutiram, avaliaram, fizeram algumas tentativas e, nada! Um deles, conhecedor da cidade onde estavam aportados, lembrou-se de um “caldeireiro” que trabalhava nas redondezas e então decidiram chamá-lo. O homem, já com aparência “encurvada” pela idade, de movimentos lentos, voz “mansa”, com uma pequena caixa de ferramentas nas mãos, ouviu o problema, os relatos das tentativas feitas e calmamente avaliou tudo, inspecionou a caldeira, acompanhou a tubulação em alguns metros, pensativo e observador. Todos os técnicos o seguiam, curiosos. Com tranqüilidade, o homem retira um pequeno martelo da caixa e dá duas suaves marteladas em um determinado ponto do encanamento, mais adiante outras marteladas suaves e assim faz algumas vezes.
De repente, volta-se a um determinado ponto do encanamento e desta vez dá duas marteladas fortes, firmes, contundentes, e como por milagre, a caldeira volta a funcionar. Alvoroço e euforia geral, espanto, satisfação de todos, felicidade incontida. O capitão do navio quer saber o preço do serviço prestado, ao que o homem responde:
- São mil reais!
- Mil reais por duas marteladas? Espanta-se o capitão.
- Não, pelas marteladas eu cobro apenas dois reais. Os outros novecentos e noventa e oito reais eu cobro por saber ONDE e COMO dar as marteladas...
Uma das prerrogativas do bom profissional é gerar e fazer gerar conhecimento. Quanto maior o arsenal de informações, maiores serão suas habilidades. Quanto mais flexível for o profissional, mais chance ele terá de aprender e se manter conduzindo pessoas.
Hoje em dia, fala-se muito em EXPERTISE (pronuncia-se exatamente como se escreve), no quanto o profissional com esta característica é desejado no mercado de trabalho. Para entendermos de forma prática o que significa buscar esta característica vamos entender algumas coisas. Existe uma grande diferença entre estar informado, que chamamos de conhecimento descritivo e praticar a informação, chamado de conhecimento produtivo. Por exemplo, uma pessoa pode saber que o uso de camisinha evita a AIDS (informação ou conhecimento descritivo), enquanto outra usa a camisinha nas relações sexuais (conhecimento produtivo). A este indivíduo, que pratica o que conhece, dizemos ter uma EXPERTISE.
Por definição quando se é experiente, se experimenta, quando se tem e pratica o conhecimento, quando se procura o saber, o compreender, desenvolver habilidades, quanto se tem perícia, a pessoa será considerada uma expertise naquele assunto. Na verdade a palavra expertise é feminina (a expertise). Dois são os caminhos para se atingir esta condição: aprendizado por repetição, como nosso personagem caldeireiro ou aprendizado por informação, estudo, leitura, observação de outros profissionais e prática em seguida. Portanto, não se pode dizer que um teórico ao respeito de um assunto tenha expertise, ele apenas tem o conhecimento. A expertise só é possível se for praticada.
Existe o saber, através de estudos ou outros métodos, existe o fazer, que pode estar certo ou errado, existe o saber fazer, que é quando se faz certo por que aprendeu e, para o bom profissional a meta é fazer saber, que significa estimular a si próprio e aos parceiros, aprendizados contínuos. Portanto a receita é bem simples: estude e pratique, observe e pratique, aprenda e pratique, discuta e pratique, ouça e pratique!
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